sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Ciência e Religião Parte II

As manifestações religiosas estão entre os homens há milhares de anos, até onde a arqueologia consegue alcançar.  A ciência é uma prática muito recente, se comparada com o tempo em que o homem cultua Deuses.
Ao que tudo indica, desde que a imaginação do homem se tornou possível ele a utilizou para construir outros universos além do que já conhecia.  A Arqueologia e a Antropologia mostram que em diferentes espaços e épocas, diferentes culturas produziram diferentes Deuses a modos de cultuá-los.
Algo comum entre a maioria das religiões é a questão: “De onde viemos e para onde vamos?”. Ela nos deixa ver que os homens apresentam uma necessidade elementar de acreditar em algo que vá além da sua compreensão comum acerca da sua origem e destino.
Essa questão possibilita o protagonismo do discurso de um Deus, que apresenta um contexto e as respostas, despertando a fé: acreditar em algo que não precisa ser explicado de outra maneira, senão pelo próprio Deus (Religião).
Antes dos principais protagonistas religiosos contemporâneos e da escrita, as crenças eram compartilhadas por gerações e gerações através da comunicação oral, lembrança, símbolos e tradições.
As principais religiões da atualidade surgiram do desdobramento de outras religiões ou crenças existentes ou do confronto entre elas. O cristianismo se construiu a partir das crenças hebraicas; o protestantismo uma reinterpretação do cristianismo; o islamismo da reação às escrituras anteriores, o Tora e a Bíblia; e o Budismo, uma reação ao hinduísmo.
Nos últimos quatro mil anos a capacidade de comunicação entre os homens foi avançando rapidamente e isso permitiu que as religiões se tornassem sistemas mais ou menos estáveis e evolutivos. A escrita e mais recentemente a impressão, criada por Gutemberg, permitiram certa universalidade às crenças religiosas. Mesmo assim, a grande questão continua perene: “De onde viemos e para onde vamos?”
Nos últimos séculos as religiões e a ciência vêm estreitando laços.  Atualmente os achados e a própria interpretação das religiões modernas, pelos próprios religiosos, faz uso disseminado de conhecimentos científicos, sejam antropológicos, sociológicos, psicológicos e outros. Não raro, um teste de carbono 14 de certo objeto confirma a datação de um fato religioso pregresso ou a análise geológica das camadas de um solo confirma um cenário ou ambiente muito remoto, citado em um escrito religioso.

Mas antes da ciência, tal como conhecemos hoje, o que eram as religiões, como surgiram?  O que a ciência pode nos dizer sobre isso?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Ciência e Religião Parte I

A ciência se constrói sobre conhecimentos científicos que se integram e se estendem na medida em que se confirmam com experiências empíricas.  Um fenômeno é científico quando se repete sob as mesmas condições.

Na ciência, os conhecimentos funcionam como uma malha multidimensional, em que seus elos podem pertencer a uma ou mais teorias, de um ou mais campos do saber. Desse modo, um conhecimento do campo da Biologia pode ser explicado pela Física, ou seja, uma célula pode ser explicada tanto em termos genéticos como moleculares e uma explicação corrobora a outra.

A religião se constrói a partir de conhecimentos dogmáticos, pressupostos que se integram, mas não se confirmam empiricamente tal como na ciência, dependem da crença. Uma religião só existe quando pessoas creem nos seus dogmas.

Enquanto a ciência universaliza o conhecimento, pois ciência é ciência em qualquer lugar e em qualquer tempo, a religião é totalmente dependente da cultura, que se diferencia no local e no tempo. Embora a maioria das religiões se construa em torno de um dogma central, um Deus, existem inúmeros e diferentes Deuses, independentemente de lugar e de época.

As religiões são mais predispostas a aceitarem e a integrarem a ciência ao seu campo de pressupostos, que o inverso. Isso ocorre porque os dogmas não se explicam sob os pressupostos universais da ciência e o conhecimento científico só é refutado pela religião quando contraria seus dogmas, o que não é muito frequente.

Um dos principais pressupostos que coloca a ciência e a religião em confronto diz respeito à origem dos homens.  Para a ciência, o homem evoluiu a partir de outros seres e para a religião cristã, por exemplo, ele foi criado por Deus à sua semelhança.

De um lado o evolucionismo e de outro o criacionismo, dois elos inconciliáveis. Mas até quando? Questiono porque tanto a ciência quanto a religião são possibilidades reais e concretas na mente de quase todos os cristãos.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Mamãe e Deus - Uma Outra Analogia

No ventre de uma mulher grávida dois gêmeos dialogam:
- Você acredita em vida após o parto?
- Claro! Há de haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Afinal como seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a nossa boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido pois o cordão umbilical é muito curto.
- Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe, e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde ela está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.
- Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Eu penso que após o parto, a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela.

Autor Desconhecido

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O Grande Poder da Palavra: Deus e Ciência – Porque não?

Todo final de ano, corriqueiramente, vivo uma maratona de leituras e de participação em bancas de monografias e artigos de alunos de graduação e pós-graduação. É uma rotina comum aos professores. A mesmice desse rito algumas vezes é desconcertada pelo impacto das palavras que os alunos escrevem, falam (na apresentação à banca) e pelos comentários que nós professores emitimos sobre os seus trabalhos.

Após uma sequência dessas bancas, fiquei refletindo sobre o quanto aquilo que os alunos escrevem e falam os modifica, tanto quanto os nossos comentários (dos professores da banca), sejam elogiosos ou críticos. Acho que a mudança se dá porque eles destinam muita energia para aquele momento da apresentação, que se mistura com inúmeros sentimentos, produzindo um estado de alerta que deixa-os receptivos e sensíveis. Nesse estado, tanto os comentários críticos como os elogiosos que fazemos produzem reações desproporcionais ao que comumente vemos. É certo que nem todos reagem da mesma maneira, mas enxergo um certo padrão comportamental nessas reações.

Embora o contexto seja indispensável para a receptividade e mudança dos alunos, chamo a atenção para o poder das palavras, aquelas que eles escrevem e pronunciam e as que falamos, quando comentamos suas apresentações ou anotamos nos seus textos. Quando eles falam, tentam nos convencer e principalmente a eles próprios do que estão dizendo, é como se estivessem dando uma aula para si mesmos.

Numa dessas bancas o aluno utilizou um termo que não conseguiu conceituar adequadamente, dando-lhe significado.  O ruim foi que o termo fazia parte do título do seu artigo. Ao final da apresentação, cumprindo meu papel de avaliador, perguntei-lhe o significado desse termo e ele, com certa vergonha, não conseguiu exprimi-lo corretamente. Ele não sabia. Em seguida, discorri por não mais que dois minutos sobre o termo e suas relações com as demais questões envolvidas em seu trabalho. Na medida em falava, sua vergonha se dissipava e seu semblante vibrava. Ao fim, me pareceu que todo o seu esforço, até aquele momento, foi compensado, em poucos instantes ele conseguiu preencher várias lacunas da sua compreensão sobre o assunto estudado.

Esse tipo de fenômeno se repete em outros contextos, sobretudo naqueles em que a emoção está presente. Sempre carregamos lacunas que podem ser ocupadas, seja por uma explicação ou um certo termo. As vezes enfrentamos verdadeiras revoluções interiores por termos ouvido e compreendido o significado de uma única palavra.

Isso ocorre porque construímos o nosso conhecimento como uma malha composta por inúmeros elos. Algumas vezes, um único elo produz muitas ligações e interfere significativamente na malha como um todo. Essa malha nãos é plana e possui camadas horizontais e verticais. Pode ocorrer de um único elo produzir ligações tanto na sua extensão como na profundidade. Em geral esses elos são palavras.

Atribuímos palavras e símbolos ao que conhecemos, como se fossem os códigos de barra do nosso conhecimento. Alguns desses códigos incorporam muitos significados, que os tornam poderosos, uma espécie de palavras chave do nosso conhecimento. A relevância desses significados varia com os contextos e com as pessoas envolvidas.

O que ocorreu com a banca que citei, foi que o significado daquele termo (do título do artigo do aluno) sobre o qual discorri, que para mim era comum, foi para aluno a chave que uniu inúmeros outros conhecimentos que eram produtos da sua experiência de vida até aquele momento.

Embora existam muitas palavras chave em nosso universo de termos, algumas delas se destacam.  Chamo a atenção para as palavras Deus, amor e mãe, elas possuem uma amplitude de aplicações e uma variedade de significados que as tornam muito difíceis de serem compreendidas em sua amplitude.

Me utilizei dessa explicação para mostrar como o livro Socorro! Deus é Menina surgiu.  Em certo momento, atribuí uma identidade feminina à Deus, porque percebi razões para isso e assim estabeleci uma consequente associação entre o amor de Deus e o amor materno. Daí surgiram inúmeros outros raciocínios que apresento no livro.  A identidade feminina de Deus me serviu tal como aquela breve explicação que dei ao aluno.

Disso tudo percebemos as barreiras para o avanço do conhecimento humano que muitos campos do conhecimento estabelecem, ao se enclausurarem em códigos exclusivos, não se permitindo dialogar com outras dimensões do conhecimento humano.  Isso acontece, por exemplo entre as religiões, em que Deus só pode ser visto segundo os códigos (dogmas) daquela religião; entre as ciências, em que os códigos (teorias) se esgotam naquele mesmo campo do conhecimento; e entre a religião (dogmas) e as ciências (teorias).

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A Vulgarização do Amor - Fragmentos do livro Socorro! Deus é Menina

Estamos vivendo um acelerado processo de vulgarização e desqualificação do amor, em todas as suas modalidades. A começar pelo excessivo uso do termo, que raramente é aplicado com propriedade. Faça uma experiência, peça a um de seus amigos que liste as dez coisas, pessoas, locais ou situações que mais ama. É muito provável que ele inclua mais coisas materiais, locais e situações que pessoas.

Então, você ama o seu smartphone? Espero que não, más ouço com muito regularidade pessoas dizendo que sim.  Ou elas estão mentindo ou aplicando o termo amor indevidamente. Neste caso, talvez não reconheçam o que significa amor. O pior dos mundos é se elas estiverem falando a verdade. Neste caso, estaremos lidando com um amor no mínimo estranho, não é mesmo?

A vulgarização da palavra amor tem sido sistematicamente empreendida pelos meios de comunicação, por campanha publicitárias, que apelam para a dimensão afetiva para comercializar produtos e serviços. A ideia central é incutir valores que associam carências afetivas ao consumo, de tal maneira que comprando estaremos amando ou sendo amados. Esta artificialidade se estende para o universo das relações humanas e passa a mediar as relações afetivas também entre pessoas.


É claro que não há como esperar que seu automóvel, computador ou uma bolsa de grife se apaixone por você, mas é perfeitamente possível incorporá-los à sua imagem, conformando um ser composto por você + um kit persona, que serão objetos de desejo ou admiração de outras pessoas. Assim, para ser amado você precisa de mais e mais coisas. São estas coisas que vão intermediar a relação afetiva entre você e as outras pessoas.

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Fragmentos do livro Socorro! Deus é Menina: Amor e Fé

Para a ciência, a primeira molécula surgida do Big Bang é o elemento mais simples que supostamente conhecemos. Para saber quem é Deus, considere um elemento mais simples ainda. Embora a ciência ainda não tenha explicado esse elemento, e espero que o faça no futuro, podemos reconhece-lo em nós mesmos como a partícula do amor.

Deus é amor, o amor é o bem e tudo que dele decorrer.  Deus é como uma mãe, não precisa atender aos seus pedidos, ele se justifica pelo simples fato de você existir, não pelo que você julga que merece. Tal como a mãe, ele já lhe deu o que tinha que dar, uma semente de amor para cultivar.  Cultive, faça isso por você e por ele.

Segundo Chopra, só podemos reconhecer o que a nossa mente percebe, por isso, é possível que ela molde a nossa realidade. Se o cérebro for uma lente vermelha, para nós, tudo será vermelho. Acho que a dicotomia entre o que seja ou não conhecido não é apropriada para encontrarmos Deus, se for assim, os céticos nunca o reconhecerão. As evidências de Deus estão conosco, mesmo que não consigamos estabelecer uma lógica mística ou científica para explica-lo. Considere que Deus seja amor e assim perceberá que todos nós acreditamos nele, mesmo sem querer, inclusive os céticos.

Deus está em você e não do lado de fora. Praticar o amor é aceitar um Deus que é de todos e que pode se manifestar de muitas maneiras, tantas quantas o amor permitir.  Por isso. amar os animais e experimentar a sua afetuosidade é uma sublime maneira de viver a fé.  Do mesmo modo, ser tolerante e aceitar a união de pessoas que se amam, independente do gênero, mesmo contra os imperativos da nossa cultura e o peso da nossa religião, é atuar sob a influência de Deus.


Não se crê sem fé.  A fé é a própria consciência de que se pode amar. Veja o exemplo das mães, elas amam mesmo antes de conhecer o filho, isso é fé.  Acredite no amor que já existe em você e terá fé. Por isso, mesmo os céticos têm fé.

sábado, 8 de outubro de 2016

Espontaneidade e Superficialidade: Influências de Origem

Nos primeiros anos das nossas vidas somos fortemente influenciados pelas ações educativas das nossas mães.  Ações que são estimuladas e inspiradas pelo amor que elas sentem por nós.  Em geral, nessas fase, além das diversas características pessoais, apresentamos um caráter espontâneo, sincero e afetivo, mesmo se nos revelamos mais tímidos e retraídos.  Na medida do tempo, quando vamos crescendo, nos distanciando desse cuidado afetuoso e nos submetendo mais e mais à sociedade, nossa espontaneidade vai sendo sucessivamente empurrada para fora de nós, por uma crescente artificialidade.  É a cultura, tomando o lugar das nossas mães e nos fazendo adultos.

A cultura nos ensina a nos comportarmos em sociedade, a entender e a aceitar direitos e deveres e a nos mostrarmos em função do que esperam os demais membros da nossa sociedade.  Ela nos leva a vivermos na superficialidade de nós mesmos em favor da nossa aceitação pela sociedade.

No lado oposto ao das nossas mães, a educação à que nos impinge a cultura não tem o amor como um lastro, mas uma ética alicerçada na razão e nos dogmas.  Enquanto nossas mães nos ensinam o que acham que nos trará o bem porque nos amam, e isso independe do tempo e do lugar em que vivamos, a cultura nos leva a acreditar no que seja certo ou errado e isso varia em função do tempo e do local onde vivamos.

Mesmo sabendo que a nossa espontaneidade seja um traço característico das crianças e que na quase totalidade dos casos ela vá diminuindo ao longo do nosso crescimento, não posso deixar de notar a influência que as mães exercem sobre ela, reforçando-a, buscando alonga-la ao máximo.  Do outro lado, vejo que a cultura fazendo o oposto, nos conduzindo para uma superficialidade que apaga a nossa espontaneidade.

Penso que uma das razões desse fenômeno decorram das bases que sustentam essas ações educativas, o amor, a razão e os dogmas.  O amor independe de tudo, e me refiro ao amor materno, ele existe em qualquer lugar e a qualquer tempo do mesmo jeito, já a razão e os dogmas não, eles variam no tempo e no espaço.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A Função Pedagógica do Amor Original

Acredito que a trajetória humana foi edificada sobre o amor e que o seu aprendizado e o da própria Inteligência foram estimulados pelo amor original, aquele que todas as mães sentem pelos seus filhos, mesmo que não queiram.

É curioso notar o efeito posterior que a rejeição de um filho provoca em uma mãe. Ela pode ter todas as razões para não amá-lo, até mesmo que ele tenha sido fecundado sem a sua aquiescência, mas rejeitá-lo produz um profundo trauma, um interminável problema de consciência.

A proteção que o amor original proporciona, estabelece as condições favoráveis para a cria aprender. Ela reduz as incertezas, abranda as inquietudes e acomoda os ânimos, permitindo que tanto o coração como a mente se abram para aprender. A minha experiência mostra que o amor estimula o aprendizado. Hoje, uma criança ou mesmo um adulto, que se sinta amado, cuidado e protegido, se abre para sentir e perceber outras visões.

Tenho a impressão de que o amor é uma estratégia de evolução e de sobrevivência das espécies, uma prática instintiva que estimula o desenvolvimento da inteligência racional a partir da inteligência emocional e que tudo desagua em um sistema de valores em que Deus está contido.

Se isso realmente te interessa, então, dê uma olhada no capítulo III do livro, onde falo um pouco mais sobre o caráter pedagógico do amor. Afinal, ele move multidões na direção das Igrejas e de Deus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Fragmentos do livro: Socorro! Deus é Menina

          Se Deus é amor, o gênero feminino foi o conduto da nossa herança afetiva, desde o início de tudo, nosso cordão umbilical com Deus. Por isso, o gênero feminino é muito mais afetivo e sensitivo, devendo, portanto, dele brotar todos os valores. No entanto, preferimos adotar o conhecimento racional, que nos legou a ciência de hoje; e o conhecimento dogmático, alicerçado em Deuses homens, para constituir duas grandes estruturas geradoras de valores que se antagonizam em quase todos os aspectos menos quando se trata da desvalorização do gênero feminino e do amor, nisso elas estão de acordo.

Então, tal qual a religião e Deuses homens, a ciência tem lá suas mazelas, que creio decorram da mesma causa, o distanciamento do amor original, o amor de Deus. Por exemplo, se um cientista morasse em um planeta em que se identificasse afetivamente com os seus seres, provavelmente não inventaria uma bomba atômica. A sua ciência estaria a serviço da vida, por razões óbvias de natureza afetiva.

Do mesmo modo, as religiões parecem distantes dos valores mais importantes.  Parafraseando Chopra, a ideia é bem simples, considere duas tropas de soldados inimigas, uma de cada lado, sendo abençoadas por seus Capelães para que tenham melhor sorte na batalha.  Irônico, não é mesmo? Então, o resultado será a morte de muitos deles, por razões que eles próprios desconhecem. O problema não está com os soldados, mas com a guerra. Se o conflito fosse enfrentado a partir de valores e crenças que colocassem a vida acima de tudo, a guerra provavelmente não existiria. No entanto, neste exemplo, a ciência e a religião estão amalgamadas em favor do mesmo infortúnio.

Se as religiões e os Deuses homens estivessem verdadeiramente sedimentados no amor, não teríamos a descrença, desconfiança e tantos falsos profetas, não é mesmo? Não precisaríamos recorrer tanto aos bens materiais para exercitar o amor, na sua melhor expressão, aquele que nos realiza como seres de Deus que somos.  Praticar o amor é aceitar um Deus que é de todos e que pode se manifestar de muitas maneiras, tantas quantas o amor permitir. Por isso, amar os animais e experimentar a sua afetuosidade e uma sublime maneira de viver a fé. Do mesmo modo, ser tolerante e aceitar a união de pessoas que se amam, independente do gênero, mesmo contra os imperativos da nossa cultura, é atuar sob a influência de Deus.

Deus é amor, o amor é o bem e tudo que dele decorrer. Deus é como uma mãe, não precisa atender aos seus pedidos, ele se justifica pelo simples fato de você existir, não pelo que você julga que merece. Tal como a mãe, ele já lhe deu o que tinha que dar, uma semente de amor para cultivar.  Faça isso por você e por ele.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O desenvolvimento e a presença das mulheres nos parlamentos dos países

O Índice de Desenvolvimento Humano – IDH é um indicador de comparação utilizado para distinguir os países em seus graus de Desenvolvimento, compreendendo as seguintes classificações:

Países Desenvolvidos = IDH Muito Alto;
Países em Desenvolvimento = IDH Alto e Médio; e
Subdesenvolvidos = IDH Baixo.

            O cálculo do IDH se baseia em indicadores de renda, educação e saúde. Na mensuração da renda, são consideradas a renda per capta e o poder de compra da população; na educação, entram o índice de alfabetização de adultos e a escolaridade da população como um todo; e na saúde, considera-se a expectativa de vida.

Quando comparamos o grau de desenvolvimento dos vinte países em que as mulheres têm maior participação nos parlamentos com o dos vinte países em que as mulheres têm a menor ou nenhuma participação, observamos o seguinte resultado.



É curioso pensar que se possa considerar um país como Desenvolvido, sem a participação significativa das mulheres em seu parlamento, sobretudo porque que elas são a maior parcela da população, mais escolarizadas e mais longevas.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Riqueza, Renda ou Religião: O que mais influencia a participação da mulher na vida política?

Segundo o Relatório da União Interparlamentar de 2015, somente 22,8% das cadeiras parlamentares de 193 países do mundo são ocupadas por mulheres. Poder-se-ia pensar que a riqueza dos países estimulasse a participação feminina na política, mas não é isso que revelam os números do Banco Mundial.


Cinco entre as dez maiores economias do mundo em 2014 tinham uma participação feminina em seus parlamentos inferior à média mundial (Estados Unidos, Japão, Brasil, Índia e Rússia) e apenas um entre eles (Alemanha), tinha presença mais expressiva de mulheres (uma em cada três cadeiras).

Poder-se-ia pensar, ainda, que a Renda Per Capta exercesse maior influência na participação das mulheres na vida parlamentar dos países, mas, outra vez, não é o que mostram os números do Banco Mundial.


Quando se observa a renda, novamente, cinco dos dez países com as maiores rendas per capta do mundo em 2014 tinham uma participação feminina em seus parlamentos inferior à média mundial (Catar, Kuwait, Brunei, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Arábia Saudita) e apenas dois entre os dez (Noruega e Suíça), tinham uma presença mais expressiva de mulheres (duas em cada cinco cadeiras).

E as Religiões? Será que elas influenciam?

A população de cento e noventa e três países do mundo, 31,5% é Cristã, 23,2%  Mulçumana,  16,3 %  Hindu e 7,1 Budistas, para uma participação feminina de 22,8%.


Quando se observa as religiões Cristães, entre os vinte primeiros com maior presença feminina nos parlamentos, nota-se que somente um (Senegal) têm um percentual de Cristãos (3,6%) inferior à média mundial (31,5%).  Já entre os vinte últimos, nove países (Brunei, Tailândia, Irã, Maldivas, Sri Lanka, Camores, Kuwait, Yemen e Catar) têm o percentual de Cristãos inferior à média mundial.

Observando a religião Mulçumana, vê-se somente um país (Senegal), entre os vinte primeiros com maior presença feminina nos parlamentos, com percentual de Mulçumanos (96,4%) superior à média mundial (23,2%).  Já entre os vinte últimos, nove (Brunei, Irã, Maldivas, Nigeria, Libano, Camores, Kuwait, Yemen e Catar) têm o percentual de Mulçumanos superior à média mundial.

A religião Hindu têm presença mais expressiva entre os últimos vinte países, no Sri Lanka (13,6) e no Catar (13,8), mesmo assim inferiores à média mundial (16,3%).

Os Budistas têm maior presença na Tailândia (93,2%) e Sri Lanka (69,3%), ambos entre os vinte últimos países.

Embora estes números não revelem o quanto as religiões influenciam a organização sócio política de cada país, ao menos, são um passo inicial para uma análise mais aprofundada da pouca presença feminina nos parlamentos do mundo.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Uma das Raízes da Desproporcional Presença das Mulheres nas Esferas Econômica e Política

A escolaridade das mulheres avança a passos largos na maioria dos países, sendo superior em muitos deles, mas isto não se reflete na mesma proporção no emprego.  Embora sejam metade da população mundial, somente um terço ocupa postos de trabalho formais.

Segundo o Fundo Monetário Internacional, se a força de trabalho feminina fosse aproveitada, países como o Egito elevariam o seu PIB em um terço e a Índia em um quarto.  Talvez, esse fosse o caminho para a superação da crise econômica que assola os países em desenvolvimento, inclusive o Brasil.

Outro aspecto que contrasta com o nível de formação das mulheres, superior ao dos homens, é sua inexpressível presença nos escalões mais elevados das empresas.  Nas duzentos e cinquenta maiores empresas brasileiras há somente três mulheres no topo da hierarquia.  Mas isso é só no Brasil? Claro que não.  A revista Fortune de 2014, sobre as quinhentas maiores empresas do mundo, informa que somente vinte e três executivas conduzem grandes corporações.

A baixa presença quantitativa e qualitativa da mulher no mundo do trabalho está diretamente relacionada com a sua tímida participação nos cargos eletivos e, por conseguinte, com a pouca influência que exerce na vida política.  Sobre isso, a Unionon Inter-Parlamentar compilou dados dos parlamentos de cento e noventa e três países do mundo.  As informações são muito recentes, foram coletadas até o último dia primeiro de agosto de 2016.  Se considerarmos todas as Câmaras Baixas, equivalentes à Câmara dos Deputados brasileira, apenas um (22,9%) entre cinco parlamentares é mulher.  Nas Câmaras Altas, equivalentes ao Senado, ocorre a mesma coisa (22,3%).  No Brasil a presença feminina é ainda menor, dos 513 deputados, somente 51 são mulheres (9,9%) e dos 81 Senadores, apenas 13 (16%).

Mesmo que se possa afirmar que o representante parlamentar deva defender o interesse do povo em geral, seria ingênuo pensar que as mulheres não possuam uma agenda política com questões típicas do seu gênero.  Emprego; participação na vida econômica e política do país; e direitos pessoais, tais como o aborto e proteção contra a violência masculina, são apenas alguns deles.

A participação da mulher na vida econômica dos países está visceralmente relacionada com a sua presença no universo político, tanto quanto isso depende da importância que se lhe dê como ser social, respeitada e reconhecida com iguais direitos. A menor importância atribuída à mulher alcança todas as esferas do universo social, inclusive o religioso, não se cultua Deusas.  Quase todos os Deuses que conhecemos são do gênero masculino.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As Profundas Diferenças Entre os Gêneros no Brasil - Escolaridade X Renda

Apesar de grande parte dos discursos sobre gêneros no Brasil atenuarem as diferenças entre homens e mulheres, elas ainda são muito acentuadas e injustas.

A proporção de mulheres superou à de homens no Brasil nos últimos 20 anos e continua se elevando:

·         1991 = 50,5%
·         2000 = 50,8%
·         2010 = 51,0%

A importância da mulher na manutenção das famílias vem aumentando e atingiu 37,3% em 2010.

A escolaridade feminina é maior que a masculina e continua crescendo.

A frequência ao Ensino Médio dos 15 aos 17 anos e maior entre as mulheres:

·         1991 = Homens: 13,2%  e Mulheres: 18,2%
·         2000 = Homens: 30,2%  e Mulheres: 38,6%
·         2010 = Homens: 42,4%  e Mulheres: 52,2%

A presença da mulher de 18 a 24 anos no Ensino Superior e bem maior que a dos homens:

·         2010 = Homens: 11,3% e Mulheres: 15,1%

As taxas de escolaridade acima dos 25 anos em 2010 mostram que as brasileiras são mais escolarizadas que os homens.

·         Fundamental Incompleto= Homens: 50,8% e Mulheres: 47,8%
·         Fundamental Completo e Ensino Médio Incompleto= Homens: 14,9% e Mulheres: 14,4%
·         Ensino Médio Completo e Superior Incompleto= Homens: 24,1% e Mulheres: 25,0%
·         Superior Completo= Homens: 9,9% e Mulheres: 12,5%

Mesmo as mulheres possuindo níveis de formação significativamente maior, sua renda ainda está muito distante da dos brasileiros homens.

·         Proporção do Rendimento Salarial Médio das Mulheres no Brasil, em relação aos homens:

·         2000: 65,2%
·         2010: 67,7%

As injustas diferenças entre homens mulheres são sustentadas por raízes muito poderosas, que não serão arrancadas sem uma profunda redefinição do papel das mulheres na sociedade.  Isso implica mudanças de ordem tanto econômica e política como social e religiosa.

Fonte dos Dados: IBGE

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Um Signo Feminino no Início de Tudo

A civilização humana vem sendo construída sob signos predominantemente masculinos, tanto nas esferas sociais e políticas como religiosas. Mesmo assim, a dimensão mítica na esfera transcendente transborda em elementos que deixam visível o ovo como gênese da vida e do amor. Um signo feminino no início de tudo.

          O jornalista Pepe Rodrigues, em Deus Nasceu Mulher, nos oferece um interessante relato do processo mais recente de migração de uma sociedade matriarcal para o patriarcado. Segundo ele, registros arqueológicos revelam que o primeiro Deus, gerador e controlador era mulher e isso permaneceu há até vinte cinco mil anos. Por razões sociais e econômicas, o conceito de Deus homem se sobrepôs e perpetuou até os dias de hoje. No passado nasceram mitos e conceitos masculinos de Deus, mas Deus jamais foi masculino. A figura divina sempre foi uma mulher.

Mesmo com a prevalência de Deuses masculinos, as civilizações forjaram inúmeros valores de orientação da conduta muito mais femininos que masculinos. A justiça é um dos mais importantes deles. Ela nasce do pressuposto da igualdade entre os seres humanos, o que confere certa semelhança ao tratamento dado pelas mães aos filhos, desde os tempos mais remotos. Vale destacar que a justiça se exprime simbolicamente através de uma figura feminina, a Deusa Dice. 

 



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

As Semelhantes Concepções de Criação do Universo e seu Tempo

Supondo que os seres humanos modernos não contassem com as inúmeras versões míticas e religiosas que explicam o surgimento do universo, dificilmente uma versão para o ato de criação do universo seria aceita pela maior parcela da população do mundo, se não incluísse o Big Bang, a grande explosão ocorrida a vinte bilhões de anos, que a ciência moderna nos revelou. Essa suposição deixar ver que a nossa imaginação funciona como espécie de sombra que vai um pouco além do nosso arsenal de conhecimento.

Segundo a ciência, os seres humanos habitam a terra a aproximadamente 5 milhões de anos, mas somente nos últimos dois mil anos se considerou a possibilidade de a terra ser redonda e de vivermos em um sistema solar.  A maioria dos mitos de criação do universo antecede a quase todo o conhecimento que possuímos hoje sobre os astros.  Talvez isso explique a razão de eles incluírem elementos comuns: céu, terra e mar.  Quando foram concebidos, os seres humanos tinham certeza de que viviam em um lugar único e não podiam imaginar a possbilidade de um universo, tão vasto, cheio de galáxias. A sombra do seu conhecimento alcançava no máximo um céu cheio de nuvens e raios e um mar que se elevava.

            Então, é possível considerar que a criação do universo concebida hoje, envolveria, necessariamente, além do Big Bang, elementos como espaço sideral, buracos negros, galáxias, constelações e vários outros fenômenos contemporâneos.

                     Talvez seja o momento de reconstruirmos nossos mitos.

O que você acha disso?


sábado, 13 de agosto de 2016

O que o Gênero de Deus tem a ver com a Importância da Mulher na Sociedade?

Você deve ter se perguntado, o que este cara pretende com uma discussão sobre Deus ser mulher, será que ele não percebe que Deus pode ser tanto homem como mulher?
Talvez você esteja certa(o).  Se é cristã(o), pode argumentar, que nos escritos bíblicos, em Gênesis, há a afirmação de que fomos criados, homens e mulheres, à imagem e semelhança de Deus e que a essência dele está representada em todos nós.  Pode até acrescentar que Deus seja uma força superior, que transcende aos gêneros.  Contudo, não pode negar que tanto Deus como Jesus são citados predominantemente como homens, Pai e Filho, em escrituras sagradas e que quase todos os Deuses das religiões contemporâneas sejam masculinos.
Você pode ir mais fundo e dizer que o gênero atribuído a Deus seja mera consequência da interpretação de algumas das pessoas que escreveram as escrituras sagradas e que por razões culturais ou por qualquer outra, tenham escolhido considerá-lo homem. Ao menos nas religiões cristãs isso pode ser verdade, pois há passagens na bíblia que assemelham Jesus ao gênero feminino.  No entanto, não pode negar que a imagem de um Deus homem se entranhou em todas as culturas, nos últimos cinco mil anos e que isso teve um impacto definitivo em nossas mentes e almas.
Se for persistente, pode ir mais fundo ainda e dizer que a crença em Deus não requer olhá-lo como homem ou mulher, pois isso é apenas um rótulo.  Mesmo porque, a história revela que já houve e ainda há quem trate Deus como um ser feminino. Contudo, há de concordar que este tema não deixa de ser controverso e de causar certos desconfortos às igrejas cristãs. Também não pode ignorar que as representações de Deus são geralmente masculinas e que isto produz certo efeito nas pessoas.
Não somente Deus ou Cristo, mas a própria religião católica é culturalmente masculina.  Como mostra o relato da jornalista, historiadora e feminista italiana Lucetta Scaraffia, de 67 anos, uma das 32 mulheres convidadas a participar em Roma do sínodo dos bispos sobre a família, em outubro de 2015.  Ela constatou bem de perto e narrou para o Jornal francês Le Monde, a ignorância dos bispos e padres sobre o sexo feminino, cuja presença na Igreja Católica é apenas tolerada. A jornalista observou a elegância dos clérigos, com seus uniformes pomposos e discursos de difícil compreensão para os que não são do clero, cujo conteúdo em pouco ou nada fala da mulher.
Tudo bem, você dizer que este é um único testemunho e que pouco representa uma realidade, visto que é muito mais ampla e complexa. No entanto, você deve ter curiosidade sobre este assunto e interesse em saber mais, não é mesmo? Bem, se foi o título deste livro que a(o) atraiu e a(o) levou a acreditar que eu pretendesse desenvolver uma discussão apenas sobre o gênero de Deus, sinto muito, vou decepcioná-la(o). Me permita esclarecer, com a palavra Socorro! desejo expressar a agonia em que me meti ao repensar as origens de Deus e em que também pretendo envolver você.  A grande questão que procuro levantar neste livro é, se Deus poderia ser considerado tanto homem como mulher, por que então ele se consagrou como um ser masculino e que efeitos isso teve e tem na importância da mulher na sociedade?
Quanto à denominação Menina, ela não foi utilizada para dar um significado infantil a Deus ou para desrespeitar qualquer das religiões ou crenças, mas uma tentativa de emprestar ao nome deste livro uma noção de que ainda há muito a saber sobre Deus, especialmente sob uma identidade feminina.
Acredito que uma resposta para o porquê um Deus com rótulo masculino e para os efeitos que isso teve e tem na importância da mulher, esteja no caminho de volta às nossas origens mais remotas e no retorno aos dias de hoje.  É para essa viagem que eu a(o) convido.  Há também outros propósitos com este livro, sobretudo de ordem pessoal.  Ele é uma espécie de teste de crença.  Eu nasci cristão e pretendia chegar ao final deste livro crendo mais, menos ou até não crendo em Deus. É claro, se vamos fazer essa viagem juntos, você corre o mesmo risco que eu.
Talvez esteja me achando muito pernóstico por pensar que possa influir na sua crença. É, pode até ser que você chegue ao final deste livro acreditando que eu seja um idiota, louco ou qualquer outra coisa. No entanto, só saberemos quando você chegar lá, não é mesmo?

Então, vamos?

 Convite para o Lançamento: Socorro! Deus é Menina